Publicado por: Guilherme Júnior | sexta-feira, 17 fevereiro, 2017

O que os empreendedores esperam dos trabalhadores?

Não é difícil ouvir discursos de que é difícil empreender no Brasil devido aos altos custos para se manter um trabalhador formalizado. Argumentam que os encargos para se contratar alguém custam quase o mesmo valor dos salários pagos. Que o trabalhador não ‘rende’ o valor que é remunerado. Que a lei só visa o trabalhador e nunca o empreendedor. Ou seja, no final das contas, a culpa da crise é do trabalhador.

advogados-trabalhista

Só durante essa semana, ouvi muitas pérolas, como: “eu não recebo pouco (pelo serviço da minha empresa), é que eu pago muito…”; “o funcionário tem que apresentar resultados para só depois eu aumentar o seu salário…”; ou “o trabalhador tem que me surpreender…”. Ou seja, esperam que o trabalhador, cujo benefício é apenas a sua remuneração, assuma uma postura como fosse o próprio dono do negócio. Isso é que eu não entendo!

Penso que a relação de trabalho não deve ser nem de ‘escravo e servo’, nem de ‘camaradagem’. Vejo muitos empreendedores achando que estão fazendo a revolução social ao contratar um funcionário. Mas esquecem que é justamente a mão de obra dos trabalhadores que gera os lucros do empreendimento. Relação de trabalho deveria ser um acordo com regras claras e seguindo o que estabelece a lei. Apenas isso!

Mas o que eu vejo, de verdade, é que tem muito ‘empreendedor’, mesmo alguns que até pouco tempo eram empregados, sonhando com a volta da escravidão. Reclamam de ‘pagar muito’, mas não questionam o alto custo de suas matérias primas. Reclamam de encargos, mas não falam nada das taxas de juros abusivas cobradas pelos bancos. Querem resultados antes de aumentar salários, mas não cobram a mesma eficiência de seus fornecedores. Afinal, sempre é mais fácil reclamar do lado mais fraco da balança.

Cada vez mais me convenço que a saída é pelo trabalho coletivo e associativo, com responsabilidades e rendimentos divididos por igual entre todas e todos. Empreender não pode significar lucrar acima de tudo, ainda que seja às custas do sangue do trabalhador. O mundo pode e deve avançar e se desenvolver a partir de outra lógica, com foco na solidariedade. Sonhando junto pode, sim, virar realidade, como tem acontecido em vários lugares no Brasil e no Mundo!

 

“Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade”
(“Prelúdio” – Raul Seixas)

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