Publicado por: Guilherme Júnior | quinta-feira, 11 outubro, 2012

Por que ser um Arquivo Morto jogado na prateleira?

Essa frase-título deste post era uma das frases-protesto da banda Arquivo Morto, grupo de jovens, em sua maioria moradores dos bairros México 70 e Vila Margarida, na periferia de São Vicente, SP, e que queriam tocar rock e levar consciência às pessoas que parassem para escutá-los. Nenhum dos integrantes havia tido experiência de tocar em outros conjuntos, mas nem por isso eles se deixavam intimidar pela inexperiência. Essa também foi a minha primeira experiência de baquetas nas mãos e pedais nos pés. De sua “fundação” até os dias atuais já se vão quase 13 anos. A banda não resistiu tanto tempo assim, mas deixou muitas marcas em todos que passaram por ela.

A origem do nome da banda envolve, ao mesmo tempo, uma mistura de inconformismo com a ingenuidade dos que vivem o período de fim da adolescência e início da “adultidade”. E a explicação era:

Pelo fato da banda ter ideais libertários, fez-se um comparativo do que achávamos que a sociedade pensava dos jovens,os ditos “alienados”. Achavamos que realmente nos viam como um arquivo morto: ocupando espaço, gastando dinheiro, sem utilidade e sem futuro. Lógico que era um pensamento muito radicalmas que tinha seu fundo de verdade.

Esse trecho, retirado do antigo site da banda (no ar até hoje, acreditem se quiserem!), mostra bem esse olhar, um tanto limitado, mas que tinha sua razão de ser, sobretudo se tratando de jovens de periferia!

Ao longo dos mais de quatro anos que estiveram juntos, a Arquivo Morto teve vários integrantes. Mas a formação mais estável era formada pelos irmãos Keko (vocal), Well (violão e guitarra) e Chris (percussão), por Alex (baixo) e Guilherme (bateria). Nunca chegaram a excursionar ou realizar grandes shows, mas tiveram experiências marcantes, como tocar para um público de mais de 5 mil pessoas no festival Inverno Quente (que era realizado pela Prefeitura de Santos, na praia do José Menino), uma temporada de apresentações no Convés Bar (antigo bar próximo a Ponte Pênsil, em São Vicente) e ensaios memoráveis na casa de minha mãe, na Vila Margarida. Houve uma situação em que Marina, que chegou a cantar com a banda, desmaiou por conta do calor que fazia no quarto-estúdio, um 3×3 onde se espremiam nove integrantes, uma bateria, amplificadores e um armário embutido!

Contudo, o momento mais marcante da banda foi, sem dúvida, a participação no 4º Festival de Música de Mauá, SP, a.k.a.  4ºFestMauá. A banda, que nesta época ainda contava com o vocalista André e o guitarrista Ivo, realizou sua primeira gravação, sem nenhuma produção. O registro foi feito de última hora, na véspera do encerramento das inscrições. A mídia saiu ainda quente, direto para a inscrição e – pasmem! – foi classificada! Então os jovens levaram todos seus equipamentos – de ônibus – e foram rumo a cidade, na região do ABC Paulista. Não conseguiram se classificar para as demais etapas, mas a experiência de ir mostrar o trabalho “serra acima” foi algo que permanece na lembrança de todos nós, mais de 11 anos depois do ocorrido!

Enfim, não é possível colocar todas as histórias em apenas um post, mas quem lembrar de mais alguma, aproveite para deixar sua lembrança nos comentários. E para quem ficou curioso em ouvir a banda, já estão disponibilizadas duas músicas gravadas pelo grupo. É possível, inclusive, fazer o download gratuito das faixas. A qualidade da gravação, instrumentos e afinações é questionável, mas a atitude  e “cara de pau” estão aí registradas. É Arquivo Morto na fita, mano!

 

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Responses

  1. Gui, show!! Emocionante ler aventuras tão bem retratadas! Adorei! Quero mais!


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