Publicado por: Guilherme Júnior | terça-feira, 18 novembro, 2008

Fome de que?

Começou ontem (17/11/2008), em São Paulo, a Conferência Internacional sobre Biocombustíveis. Tendo como principal idealizador o Presidente Lula, o evento pretende rebater as críticas que vem o biodiesel e o etanol vem recebendo, principalmente em relação ao atual aumento dos preços dos alimentos.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirma que não há competição na destinação final dos produtos agrícolas e que é possível expandir as áreas de plantio, tanto para a produção de alimentos quanto de combustíveis. Em discurso no mês de maio, Lula desmentiu as acusações de que o biodiesel seria um dos responsáveis pelo aumento do preço dos alimentos, já que sua produção é bastante inferior a qualquer outro combustível.

No entanto, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) afirmou recentemente que cerca de 100 milhões de toneladas de cereais foram destinados à produção de biocombustíveis. Segundo a entidade, a demanda de energia mundial é tão grande que pode gerar um novo paradigma na produção agrícola mundial, relegando a alimentação ao segundo plano.

Exageros à parte, é fato que o debate sobre as vantagens e desvantagens dos ditos combustíveis ecológicos ainda é bastante raso. São indiscutíveis os benefícios dos biocombustíveis em relação à economia brasileira e na redução da emissão de poluentes na atmosfera. Tais produtos se apresentam como alternativa aos combustíveis fósseis, ainda que não estejam em estágio de substituí-los totalmente.

Também não é tão absurdo que o cenário apresentado pela FAO se torne real. Afinal, a economia tem seguido muito mais as tendências de lucro do que os interesses humanitários. Se não forem criados mecanismos que priorizem a alimentação, é bem possível que alta dos alimentos se intensifique. Segundo o Banco Mundial (Bird), cerca de 2 milhões de pessoas já são atingidas pela aumento, e que mais 100 milhões de pessoas nos países pobres devem passar a viver em nível de pobreza extrema.

O que se espera da Conferência é que, além de ressaltar as benesses econômicas e ecológicas dos biocombustíveis, também se apontem formas de garantir a segurança alimentar da população. Afinal, antes de carros e computadores, um país é feito de pessoas. De preferência, bem alimentadas.

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