Publicado por: Guilherme Júnior | quarta-feira, 30 maio, 2007

Trabalhadores bloqueiam rodovia para assegurar direitos

Matéria que vai ser publicada no Boletim Militante, publicação da Juventude Operária Católica Brasileira (JOC)

manifestação na Anchieta

Um congestionamento de cerca de 6 km foi provocado nesta quarta-feira, 23 de maio, na altura do Km 59 da Rodovia Anchieta, em Cubatão, devido a manifestação do Dia Nacional de Luta dos Trabalhadores. Organizado por diversos movimentos como a Intersindical, central que reúne diversos sindicatos como bancários, metalúrgicos, petroleiros e servidores públicos municipais, entre outros; além de movimentos como o dos Sem Teto, Sem Terra, Educafro e JOC, o ato paralisou a pista norte da rodovia, impedindo seu fluxo por quase três horas. O trânsito só foi liberado após intervenção da tropa de choque da polícia militar. Durante o ato, 30 policiais militares acompanharam à distância, sem tentar impedir os cerca de 200 manifestantes de bloquear a via.

Segundo o membro da coordenação nacional da Intersindical, Edson Carmelo, também conhecido como Índio, o objetivo era paralisar as principais rodovias do país para chamar a atenção do governo federal e do congresso quanto a aprovação de projetos que prejudiquem os trabalhadores, como as reformas da previdência, trabalhista e a emenda 3.  Ele afirma que aconteceram paralisações em fábricas como as da GM e a da Honda, em São José dos Campos. Na região, também houve bloqueio no Km 262 da Rodovia Cônego Domenico Rangoni, na altura da Cosipa. “Esse é, sem dúvida, um dos mais importantes dias de mobilização dos últimos 10 anos”, concluiu.

As pessoas que ficaram presas no trânsito, porém, não se sensibilizaram com as causas defendidas pelos manifestantes. Conforme apurado pela reportagem do Boletim Militante, poucos conheciam as reivindicações e quase todos criticavam a ação. O coordenador administrativo Sandro Despotoclos tentou furar a barreira com a sua moto, mas foi impedido. “Toda manifestação é válida, mas elas não podem impedir o direito de ir e vir dos outros”, afirmou. Outro descontente era o publicitário José Martins, que aguardava a liberação da pista para seguir para seu trabalho, em São Paulo. “Eu posso perder meu emprego por causa disso. Eles deveriam fazer isso lá em Brasília”, disse. Contudo, não foram registradas maiores animosidades entre manifestantes e usuários da rodovia.

Durante o ato, os manifestantes usaram um carro de som para apresentar suas críticas à forma como o governo vem conduzindo suas ações. Eles também fizeram pequenas esquetes de teatro e dançaram na pista, mesmo sob chuva.  O professor Giulius Cesare, membro dos movimentos Construir a Base (Cubase) e Coletivo Alternativa Verde (Cave) diz que essa é “uma mostra para a sociedade da alternativa que está por vir, na qual as pessoas se organizam para conquistar e organizar direitos”.

 Emenda 3 – Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região, Ricardo Saraiva, o BIG, a emenda 3 impede que os fiscais do ministério do trabalho possam reconhecer e multar empresas que utilizam mão de obra de outras empresas formadas por uma única pessoa, já que essa situação se caracteriza como uma  relação trabalhista. Pela proposta, caberia apenas ao judiciário reconhecer tais irregularidades. Dessa forma, os trabalhadores estariam mais sujeitos à precarização de trabalho e a perda de direitos assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como férias, 13º salário e fundo de garantia.

 

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