Sábado, 28 de junho

Cheguei ao aeroporto de Asuncion às 13h30. O vôo atrasou uma hora e meia do previsto, devido a um nevoeiro em Guarulhos. A sensação de voar me dá um pouco de estranheza, mas não chego a sentir medo. Fiquei encantado de ver tantas paisagens de cima. Mas também me frustrei em não ter visto as Cataratas do Iguaçú, porque a região estava muito nublada.
Ao chegar, passei pela Aduana (alfândega), onde revistaram todas as minhas coisas e questionaram se levava algo além de roupas. Depois de passar por essa etapa, encontrei com Carmelo e Anita, que já foram em minha casa há algum tempo.
As primeiras impressoes que tive foram de decadencia, pobreza e descuido com o transporte público. Os coletivos são muito velhos, feios e sujos. A passagem custa G$ 2300 (dois mil e trazentos guaranis), o que equivale a pouco mais de R$ 1,00. Até a casa de Carmelo passamos por três ônibus!

Sua casa é em uma cidade chamada San Antonio, que fica há uma hora do Centro de Asuncion. Há uma praça grande e bonita em frente ao ponto onde descemos. Nesta praça também está localizada a Municipalidad (prefeitura) da Cidade. Há também uma igreja, com amplos jardins externos, uma imagem estilizada de San Antonio de Pádua, padroeiro da cidade, além de um bonito presepio.
A casa de Carmelo, assim como a maioria das outras da vizinhança, tem muitas plantas e árvores. Também há pomares de pomelo, apepú e naranja agria (laranja ácida). Poucas são as casas que têm muros. A maioria utiliza apenas cercas para demarcar os terrenos. Todos se conhecem e se cumprimentam ao se encontrar nas ruas de terra, calçadas com pedras quadradas, de uns 4 cm cada.
Depois de conhecer a mãe de Carmelo e almoçarmos, fomos caminhar pelo bairro. Chegamos às margens do Rio Paraguay, de onde é possível ver a Argentina na outra margem.

Por volta das 19h00 seguimos para a sede da JOC em Asuncion. Na verdade, ela fica em Lambaré, uma cidade vizinha. As cidades próximas à Capital não são muito extensas e não há marcos divisórios que as identifique. Na sede da JOC funciona, aos fins de semana, um albergue de trabalhadoras domésticas. Durante a semana elas ficam nas casas nas quais trabalham e, nos fins de semana, ficam na JOC. Na noite em que cheguei, realizavam uma feira de pratos típicos paraguaios. Faziam e vendiam mbeju (uma massa semelhante â tapioca), kaburé (um pequeno pão feito com farinha de maiz – milho seco – e que se assa sobre um cabo de madeira), pastel de mandioca e pa jagua mascada (não sei descrever, mas é muito bom).
Fiquei acanhado a princípio, até porque ainda tenho dificuldades com o castelhano, sem contar que também falam em guarani, que não entendo nada. Aos poucos fui me achegando. Havia um violão na casa, que me animei a tocar. Contudo, assim como pouco conheço de música paraguaia, eles não conhecem quase nada de musicas do Brasil. Mesmo assim, arrisquei algumas coisas que eles sugeriram (conheciam “Anna Júlia” e “Carla”). As músicas que gostam são mais tradicionais, como guarânias e polcas. Também gostam de dançar, jogar damas e truco. Mas, para esse último, o baralho e as regras são um pouco diferentes da versão jogada no Brasil.
Domingo, 29 de junho
Dormimos na sede da JOC. Na manhã de domingo houve uma avaliação do que veio sendo realizado durante o primeiro semestre no Albergue. Deu para perceber que existem problemas de convivência, só que me pareceu também que se sentem mais a vontade para falar dessas coisas do que no Brasil. a reunião se estendeu até as 12h30. Almoçamos arroz com carne e mandioca. Algumas coisas que vou percebendo na alimentação paraguaia: sempre há mandioca no almoço e na janta. Eles também comem muita carne e só bebem líquidos depois de comer.
Durante a tarde aproveitei para acessar a internet: ler os emails, enviar notícias, fuçar orkut, etc e tal. Depois conversei descontraidamente com alguns jovens que ficaram na casa e aproveitei para dormir um pouco (aqui ainda existe a siesta). Quando acordei, por volta das 16h, uma das meninas estava subindo no telhado da casa. Motivo: colher pomelos. Essa fruta é parecida com uma laranja, só que é maior e mais esverdeada. Seu suco tem a característica das frutas cítricas, mas o gosto é bastante peculiar.
Novamente me pediram para tocar musicas brasileiras no violão. Queriam ouvir samba ou sertanejo. Até tentei tocar algumas coisas, mas assim como não sou muito amigo desses estilos, também não conheço praticamente nada deles. Novamente fui acessar a internet, para buscar letras e cifras das músicas que eles queriam.
Carmelo chegou na casa por volta das 19h. Ele havia voltado para sua casa, depois da reunião, para ir a festa de aniversario de seu tio, que completou 84 anos. Voltamos à sua casa. Para comer, fomos até a praça (a da igreja), onde têm várias barracas de lanches. Comemos lomito árabe, que é um sanduíche parecido com um X-Salada, mas que é feito num pão maior, de uns 25 cm de diâmetro, e que tem pedaços de carne e queijo no recheio. Minha dieta foi pras cucuias…
Encontramos com um amigo de Carmelo que, ao saber que sou brasileiro, fez questão de me gozar pela derrota da seleção brasileira, sofrida no jogo contra o Paraguai. E assim vem sendo quase todos os dias. Ô povo pra gostar de futebol!!!
Segunda-feira, 30 de junho
Acordei às 7h. Tomamos o desayuno (café da manha) que, em geral, tem cozido (chá mate com leite) e galleta (um tipo de pão pequeno). Experimentei também uma naranja ágria, com gosto bastante azedo e nada doce. Fomos para a JOC, onde estavam Sônia, que trabalha na casa; Juan, que também faz parte da coordenação da JOC e sua esposa Ana Sofia. Juan e Ana moram na casa, mas aproveitaram o domingo para visitar os pais dele, já que não será possível fazê-lo por algum tempo, devido às atividades que têm. Apesar das tarefas, são todos muito divertidos. Me convidaram para jogar piquevôlei, que é quase igual ao futevôlei que se joga no Brasil.
Depois de me dar mal nessa modalidade, fomos almoçar. Após o almoço finalmente estreei o baralho de UNO que comprei há quase um mês. Eles já conheciam o jogo, mas chamam pelo nome em guarani, que é peteí. Mais tarde chegou Arsênio. Ele trabalha na supervisão de ensino de sua cidade, chamada Ava’i, no interior do país. Estava voltando a sua cidade e aproveitei a oportunidade para conhecer o local.
Fomos à rodoviária e pegamos o ônibus que saia âs 17h45. Chegamos às 22h15 em San Juan Nepomuceno, uma cidade vizinha, onde está a maior parte dos militantes na região. Caminhamos mais 25 minutos até a casa da comadre de Arsênio, onde estava sua moto. Como ela iria precisar do veículo na manha seguinte, lhe deixou com outra, que não parecia saber o que é manutenção há tempos. Até Ava’i são aproximadamente 7 km de estrada de terra batida, cheia de buracos e sem nenhuma iluminação. No meio do caminho, a corrente escapou da coroa. Sabe lá Deus como, mas conseguimos arrumar a moto, no meio da escuridão.
Arsênio vive em uma casa simples, de madeira. O banheiro fica na parte de fora da casa. Foi ao voltar do banheiro que passei por mais uma presepada. Depois de sair, apaguei as luzes e o caminho ficou totalmente escuro. Havia um degrau, que obviamente não vi. Resultado: pé esquerdo torcido e uma dor terrível. Todavia (eles adoram essa palavra aqui) não foi nada grave. Ao fim do dia seguinte a dor já tinha desaparecido por completo.
[...] Diário de Bordo – Viagem ao Paraguai Posted by: Guilherme Júnior | Quinta-feira, 3 Julho, 2008 [...]
Por: Um pouco das presepadas que estou passando… « Guilherme Júnior - Blog com tudo dentro! em Quinta-feira, 3 Julho, 2008
às 8:23 pm
Decadência, pobreza e descuido com o transporte público? Tem certeza que saiu do Brasil?
Vê que a pobreza é até ortográfica. Eles não têm nem til nem acento circunflexo…
Aguardo mais relatos!
Por: Márcio em Sábado, 5 Julho, 2008
às 12:53 pm
Que legal em Gui! Não sabia q vc ia pela JOC! Continue nos relatando suas experiências! Bacana!
Por: Mari em Sábado, 5 Julho, 2008
às 7:31 pm
Guilherme,
O seu relato mostra o quanto a América Latina está abandonada e o quanto precisamos nos unir para ver um retrato mais claro da nossa riqueza cultural.
Não adianta culpar outros países por causa dessa miséria. Mudanças profundas nascem dentro de cada comunidade, e os resultados são frutos das ações feitas para lidar com problemas locais.
Precisamos de uma verdadeira revolução na educação dos países latino-americanos, mas não como um derivado do que Mao fez com a China ou como a Venezuela de Chavez. Não devemos usar nem mesmo o exemplo norte-americano, que assim como os dois citados anteriormente, pouco fazem para alimentar as cabeças dos jovens com informações claras, sem as distorções criadas por um “patriotismo” pedante ou buscando soluções baseadas em dogmas religiosos.
Por favor fale mais sobre a sua viagem e continue espalhando esse seu carisma por todos os cantos do mundo!
Abraços!
Por: Jairo em Domingo, 6 Julho, 2008
às 7:33 pm
Gostei da ideia do diário do Paraguai no Blog, manda para a JOCA, JOCB, militantes da JOC Brasileira. Também gostei dos comentários de Marcio, foram bastante sensiveis, abordou até o universo linguístico.
Abraços,
luciano moura
Por: luciano moura em Domingo, 13 Julho, 2008
às 9:05 pm
oiiiiii
Por: celso em Sábado, 15 Novembro, 2008
às 7:34 pm
eu quero saber se ten alberge na capital do praguai
se e pago e cuantos dia pode ficar la
se ten enprego meu
nome e jose alves ferreira
meu email jse.alvsferr@yahoo.com.br
soa paulo SP
faloooo
Por: jse alves ferreira em Segunda-feira, 29 Dezembro, 2008
às 11:45 am
manda um email
para mim respondedo
minhas pergunta
faloooo
obrigodo ???
Por: jse alves ferreira em Segunda-feira, 29 Dezembro, 2008
às 11:51 am
eu quero conhecer
a capital do paraguai eu so comheço
de foz do iguaçu ate solto de guaira
projeto sete quedas eu pretendo ir
na capital so que eu nao sei como e la
porisoço eu fiz estas pergunta me responda
por favor pelo meu email
jse.alvsferr@yahoo.com.br
Por: jose alves ferreira em Segunda-feira, 29 Dezembro, 2008
às 12:00 pm